A CONSTRUÇÃO E A DESCONSTRUÇÃO DA CRÍTICA SOCIAL NAS OBRAS DO ESCRITOR HÉLIO SEREJO
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i10.31231Palabras clave:
Hélio Serejo, Crítica social, Desconstrução, Literatura regional, Trabalho ervateiro, Fronteira Brasil–ParaguaiResumen
Este artigo analisa como a crítica social se constrói e, simultaneamente, se desestabiliza na escrita de Hélio Serejo, com atenção especial às representações do trabalho ervateiro, às relações de poder, às formas de classificação dos sujeitos e às tensões entre discurso oficial e experiência vivida na fronteira Brasil–Paraguai. Parte-se da hipótese de que a crítica social serejiana não se reduz à denúncia explícita: ela emerge da organização narrativa de situações cotidianas, da exposição das assimetrias que estruturam o trabalho e da incorporação de vozes e experiências que tensionam discursos legitimadores. Ao mesmo tempo, a narrativa produz movimentos de desconstrução ao deslocar categorias aparentemente estáveis, sobretudo quando uma personagem inicialmente definida por atributos negativos passa a ser reinscrita por meio de características positivas e quando o discurso político sobre a fronteira é confrontado pela memória concreta do trabalhador. O corpus analítico concentra-se em passagens de Vida de erval, do volume IV, e de Pelas oxilhas da fronteira, do volume V, integrantes da coleção Obras completas de Hélio Serejo. O diálogo com Antonio Candido, Alfredo Bosi, Georg Lukács, Walter Benjamin, Mikhail Bakhtin, Pierre Bourdieu, Stuart Hall e Jacques Derrida sustenta uma leitura que privilegia a articulação entre forma literária, experiência social, linguagem e memória. Defende-se que a originalidade crítica de Serejo reside menos em uma posição unívoca diante do mundo social do que na tensão entre denúncia, valorização da experiência fronteiriça, humanização e permanência de discursos ambivalentes.
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