A SOLIDÃO ESTRUTURAL DA MÃE SOLO NEGRA NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i7.28888Palavras-chave:
Maternidade Solo. Interseccionalidade. Racismo Estrutural. Economia do Cuidado. Solidão.Resumo
Este artigo buscou analisar o fenômeno da solidão estrutural da mãe solo negra no Brasil contemporâneo a partir da intersecção entre gênero, raça e classe, identificando os impactos dessa convergência na vulnerabilidade social e na saúde mental desse grupo. Metodologicamente, trata-se de um estudo exploratório e descritivo pautado em pesquisa documental de dados estatísticos secundários e revisão bibliográfica crítica. A investigação articula o referencial teórico do feminismo negro e da economia do cuidado aos indicadores socioeconômicos extraídos do IBGE e da FGV IBRE. Os resultados revelam que a monoparentalidade no país possui uma demografia marcadamente negra (61%), caracterizada por profundas assimetrias socioeconômicas, em que 63% desses lares sobrevivem abaixo da linha da pobreza e enfrentam severas restrições de renda, saneamento e escolaridade. Ademais, constata-se que o mito da “mulher negra forte” opera como um dispositivo de desumanização que invisibiliza o sofrimento ético-político e o burnout parental, legitimando o abandono paterno e o desinvestimento estatal. Conclui-se que a solidão dessas mulheres ultrapassa a dimensão afetiva, configurando-se como um desamparo institucional e estrutural. O estudo ressalta a urgência de pautar a economia do cuidado como um problema de justiça distributiva e reparação histórica, demandando políticas públicas interseccionais.
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